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Opção já chega a 45% do total de alunos em cursos não presenciais
Simone Iwasso e Alexandre Gonçalves - AE 21 de Abril de 2008. Pela primeira vez desde o surgimento do ensino a distância no Brasil, há mais estudantes inscritos em cursos de graduação do que de especialização nessa modalidade. Lançada inicialmente por instituições públicas, como a Universidade de Brasília (UnB), a graduação a distância já soma 349 credenciados pelo Ministério da Educação (MEC). São 430 mil alunos, que representam 45% do total de pessoas que fazem algum tipo de curso não presencial. Em 2000, comparativamente, havia só 10 cursos e cerca de 8 mil matriculados.
Na pós-graduação, são 255 cursos, com 390 mil alunos. Os dados estão no Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância (AbraEAD), que será divulgado na quarta-feira. Os números indicam uma mudança de perfil nessa modalidade de ensino, tradicionalmente aceita e difundida na pós-graduação lato sensu, conhecida como especialização ou extensão universitária. Isso porque esses cursos estão sujeitos a um número menor de exigências para funcionarem e têm duração mais curta, geralmente de um ano.
"O crescimento da graduação indica uma maturidade do sistema de ensino a distância", diz Fábio Sanches, coordenador do anuário. "A graduação é a base de uma universidade e seus alunos são diferenciados, portanto, a adesão mostra que o sistema ganhou credibilidade."
Apesar de ainda ser visto com certas dúvidas, avaliações do sistema têm mostrado bons resultados. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao MEC, mostrou que estudantes a distância se saíram melhor do que alunos presenciais em 7 de 13 graduações avaliadas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), incluindo Administração, Biologia, Ciências Sociais e Física. Nos outros 6 cursos, entre eles Ciências Contábeis, História e Geografia, as notas dos grupos são semelhantes.
Parte da explicação para o bom desempenho pode estar no próprio perfil do aluno: média de 30 a 35 anos, casado, com filhos, oriundo da escola pública, com renda até três salários mínimos e que trabalha durante o dia. "Os alunos já estão no mercado de trabalho, não conseguiram concluir uma faculdade quando eram mais jovens ou já estão formados em outra área", afirma Luciano Sathler, pró-reitor de Educação a Distância da Universidade Metodista de São Paulo, que oferece 11 cursos a distância. "Em geral, é um público mais disciplinado, mais dedicado, porque o ensino a distância é a oportunidade que ele tem", diz.
Formada em Matemática na primeira turma de ensino a distância da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dayselane Pimenta, de 31 anos, trabalha como professora numa escola estadual e já engatou um mestrado na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Ela conta que, na época que decidiu estudar, morava na zona rural e trabalhava numa escola local. Se quisesse tentar uma graduação presencial, teria de andar de bicicleta até a zona urbana e pegar um ônibus de mais de uma hora até Itaperuna, a cidade mais próxima onde havia faculdade. Casada, ela tem dois filhos e conta que, mesmo que tivesse tempo para isso, não teria como pagar uma instituição particular.
"O curso é muito apertado. Às vezes, as pessoas pensam que é um curso por correspondência. Não tem nada a ver. Exige muita disciplina, tem de cumprir os cronogramas. O tutor só esclarece as dúvidas. Você precisa se organizar", diz. Durante a semana, Dayselane estudava com as apostilas e pela plataforma na internet. Nos finais de semana, ia aos pólos presenciais. "Hoje, eu vejo como as pessoas que fizeram cursos presenciais muitas vezes ficam admiradas ao ver que a gente sabe as coisas com profundidade. Como não temos a figura do ?professor da disciplina?, precisamos entender tudo para ir bem nas provas."
A maior parte dos cursos no Brasil funciona nesse modelo: uma plataforma na internet na qual os alunos acessam as aulas e os conteúdos, complementados por apostilas ou livros impressos, e pólos presenciais com a presença de professores tutores para tirar dúvidas. Em boa parte dos casos, como na Universidade Metodista, os tutores são também professores dos cursos presenciais da instituição e os pólos se espalham para todas as cidades em que há alunos. O sistema de avaliações muda bastante de instituição para instituição, mas 58% delas usam provas escritas presenciais.
FORMAÇÃO DE PROFESSOR
Várias universidades federais já oferecem graduação a distância, principalmente para cursos de licenciaturas. O modelo também é adotado pelo próprio MEC, na Universidade Aberta do Brasil, para formar professores para a rede pública de educação básica. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), há dois tipos de ensino a distância: um para professores da rede estadual, financiado pelo Estado, e outro aberto para todos, financiado pelo governo federal e prefeituras.
"Nos dois programas, o objetivo principal é atender a grande demanda de professores. Algo que seria impossível só com a educação presencial", analisa Carmela Maria Polito Braga, pró-reitora adjunta de graduação da UFMG. "Como uma professora que é casada, tem filhos e mora no interior pode vir para a capital e cursar uma faculdade? Também não podemos levar os professores para lá.Consideramos que é um compromisso da universidade formar essas pessoas."
Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os primeiros cursos nasceram em meio a polêmica e críticas. "Houve resistência de alguns professores porque pensavam que não seria possível garantir a qualidade do ensino. Demorou dois anos e meio para o projeto ser aprovado", conta Masako Massuda, presidente da Fundação Cecierj/Consórcio Cederj, órgão do governo do Rio responsável pela educação a distância, que trabalha em parceria com seis universidades públicas, federais e estaduais.
Para Holtz, presidente da associação dos estudantes de ensino a distância, "o EAD veio para ficar" No mês passado, o Conselho Federal de Biologia impediu profissionais formados em ensino a distância (EAD) de obter registro de biólogo, alegando que eles não haviam passado pela quantidade necessária de aulas práticas. O fato colocou em discussão a qualidade do EAD. Em entrevista ao repórter Aguirre Peixoto, do A TARDE, o presidente da Associação Brasileira de Estudantes de Ensino a Distância, Ricardo Holtz, criticou a falta de conhecimento em relação à metodologia. “Em alguns casos os cursos a distância preparam até melhor do que os presenciais”, afirmou na última sexta-feira, quando veio a Salvador visitar a FTC-EAD (Faculdade de Tecnologia e Ciências) e concedeu a entrevista a A TARDE.
A TARDE - Como os estudantes de cursos à distância podem ter um bom rendimento?
Ricardo Holtz - A aplicação no ensino a distância (EAD) depende de dedicação. Muita gente acredita que é uma forma mais fácil e mais rápida de se formar. Isso é uma idéia completamente equivocada que as pessoas de fora têm. Para o aluno ser um bom estudante precisa ser disciplinado, esta é a questão principal. Se ele for um aluno assim, poderá ser bem melhor que um estudante do ensino presencial. Mas precisa ter uma agenda com os horários de estudos bem definidos. 51% dos alunos de ensino a distância têm família e trabalham. Você imagina um pai de família que trabalha o dia todo, tem três ou quatro filhos, ele precisa de muita disciplina para se dedicar aos estudos.
AT - Recentemente o Conselho Federal de Biologia negou registro profissional de biólogos para os formados em ensino a distância, alegando a falta de aulas práticas. Os cursos à distância preparam os alunos tão bem quanto os cursos presenciais?
RH - Prepara bem e em muitos casos prepara até melhor. No exemplo do conselho, é um grande equívoco por causa de desconhecimento. A aluna que teve o registro profissional negado vem de uma instituição do Rio de Janeiro que eu visitei pessoalmente e pude comprovar que possui qualidade, com horas práticas de ensino também. A aluna solicitou o registro e foi negado e aí gerou toda essa polêmica. No Rio, há cursos presenciais com qualidade infinitamente inferior a esse a distância e o conselho ainda assim concede o registro a alunos destes cursos. No meu ponto de vista, falta informação aos membros do conselho, que não conhece a metodologia e acredita que é uma coisa sem qualidade. O ensino a distância é uma forma positiva de democratizar o ensino superior com qualidade. Você só consegue incluir o estudante de baixa renda através do EAD. Como democratiza, está assustando pelo volume de alunos que formam. Recentemente também tem havido problemas na concessão de registros do Conselho Nacional de Serviço Social, que querem preservar a reserva de mercado para profissionais que já estão formados, mas vamos fazer de tudo para reverter as decisões e garantir que não haja outros casos do tipo. Existem treze cursos de graduação que são passíveis de comparação entre ensino a distância e presencial. Em sete deles, o EAD obteve notas maiores no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), o que por si só já diz a qualidade do EAD. É óbvio que há muito para melhorar ainda, é uma metodologia recente no Brasil, mas tem qualidade e chegou para ficar.
AT - Que critérios devem ser levados em conta para a escolha de uma instituição de ensino a distância de qualidade?
RH – O estudante deve assistir uma aula, conhecer a metodologia ofertada pela instituição e manter um contato prévio antes de se matricular.
AT - Quais as principais vantagens e as desvantagens do ensino à distância?
RH - Acho que a principal vantagem é a flexibilidade. A maioria dos estudantes tem mais de 30 anos de idade, normalmente trabalham, têm família e não poderiam estar freqüentando a sala de aula de um curso presencial. Segundo, a inclusão. A faculdade a distância pode ir a qualquer lugar. As presenciais não têm como fazer isso, não vão a cidades pequenas. O custo também é importante, pois é mais barato e tem a mesma qualidade. A desvantagem principal, eu diria dificuldade, é a disciplina. Temos uma cultura de ensino presencial e o aluno não tem tanta disciplina, está acostumado a ser mais cobrado. A educação a distância exige muita disciplina por parte do estudante. Fonte: Aguirre Peixoto. A Tarde On-line.
A educação a distância (EAD) cresce no Brasil. Isso não surpreende, pois os avanços tecnológicos que abriram espaço para essa alternativa encontraram no nosso país condições muito propícias para o desenvolvimento da EAD. Soube de instituições que já têm algumas dezenas de milhares de alunos em cursos desse tipo.
Mas, como outras formas de educação, seu sucesso como tal só será assegurado se tanto do lado da oferta como da demanda a EAD for dotada de características que evitem sua degeneração em fábricas de diplomas.
Pode até haver interessados em obter canudos produzidos dessa forma, mas quem realmente quiser aprender via EAD também precisa ter um comportamento adequado à natureza desse ensino.
Vamos mostrar por que o Brasil é um campo propício para a EAD e quais características de seus provedores, estudantes e patrocinadores são indispensáveis para que esse sistema tenha sucesso no seu objetivo educacional. E, assim, não degenere em ADE, ou seja, à distância da educação.
BRASIL PRECISA
Com sua enorme extensão territorial, quase 200 milhões de habitantes, baixa densidade demográfica em várias regiões, e enormes carências educacionais, o Brasil tem um potencial muito grande para o desenvolvimento da EAD.
Nessas carências se incluem algumas típicas do País, como o baixo nível de escolaridade, além de outras comuns também em países mais avançados, como as necessidades de educação continuada, de cursos de especialização de nível superior ou não, e de programas de treinamento para funções específicas.
Assim, não é surpresa que a EAD esteja se expandido no Brasil, facilitada pelo uso da Internet. Lembro-me de cursos e outros eventos de EAD que exigiam a presença de professores e alunos em salas específicas de empresas como a Embratel, interligadas por sinais transmitidos por satélites e antenas parabólicas.
Creio que esses ambientes ainda existem, mas se a EAD continuasse dependendo só deles não iria muito longe.
Confesso que já fui meio cético quanto à eficácia da EAD, em particular pela dificuldade de cobrar desempenho do aluno, pois como economista observo muito as relações entre benefícios e custos, e entre investimentos e resultados. E tenho também a experiência de professor, pois olho no olho já peguei vários coladores. Imagine-se o que pode ocorrer à distância, inclusive com participação de terceiros. Um risco adicional é a proliferação de cursos fracos no seu conteúdo e frouxos na aferição de resultados.
Contudo, acompanhei o caso de uma pessoa do Brasil que se matriculou num curso 'on-line' de especialização na Universidade de Barcelona, oferecido internacionalmente. Vi que as lições recebidas para estudo eram de alto nível, e a cada uma havia a cobrança de aprendizado, por meio de perguntas enviadas para respostas pelo estudante, ou com este preparando um ensaio sobre os temas cobertos pelas lições.
Depois, vinham comentários e correções por parte dos professores. Além disso, perto do seu final o curso exigiu presença do aluno na própria universidade por duas semanas, com novos ensinamentos e cobranças, mais um trabalho de conclusão de curso ao final desse período. Entre outras finalidades, essa presença obviamente tinha o propósito de confirmar se a pessoa que tomava o curso na ponta da linha e cumpria suas tarefas era a mesma que se apresentou nessa fase presencial e mostrou desempenho equivalente.
EAD E NÃO ADE
Como dissemos, programas de EAD podem ficar à distância da educação. Instituições que os oferecem podem lucrar com um mercado que nem sempre valoriza a qualidade, mas apenas o diploma. Assim, a ética precisa estar nos dois lados da linha, pois mesmo a fase presencial pode virar uma fraude num e/ou noutro lado. Patrocinadores de cursos, como os de treinamento para seus empregados, precisam ficar atentos para não tomar gato por lebre, enganado pelo prestador de serviço e/ou pelos que receberam um 'treinamento' que não passou de um passeio 'on-line'. Fonte: Roberto Macedo. O Estadaõ
Cursos online - mais uma opção para quem busca se diferenciar no mercado de trabalho
Os cursos online são considerados hoje no mercado de trabalho como uma forma de adquirir conhecimentos em grande ascensão.
No início, os cursos feitos pela internet não transmitiam aos seus alunos nenhuma credibilidade quanto ao conteúdo, porém não é porque o curso é realizado pela internet que não é um curso bom. Essa definição se deu devido às parcerias entre empresas de comércio eletrônico e escolas, e até entre universidades. O que causou uma revolução no mundo do e-learning.
Muitos profissionais buscam nos cursos online uma forma de se diferenciarem no mercado de trabalho. Tudo dependerá do próprio aluno, ele mesmo fará o seu ritmo de estudos. Isso passou a chamar atenção das empresas, pois o aluno deve terminar o curso para obter um certificado, logo ele fez um plano de estudos individual. As empresas buscam profissionais que tenham força de vontade e determinação, isso é imprescindível para quem faz um curso online.
Para ser um bom aluno online é necessário ter disciplina, um comprometimento com você mesmo, pensando nisso é que escolhemos algumas dicas de como se dar bem nos cursos online.
- Primeiramente, como já dissemos anteriormente, o aluno online deve ter em mente que os cursos via Internet exigem mais disciplina para estudar do que os cursos presenciais. Não se pode começar um curso para abandoná-lo um mês depois e em seguida querer voltar, pois não haverá aprendizado.
- O aluno deve fazer um planejamento diário para acessar o curso, lendo e relendo os módulos para assimilar a teoria. Deve responder aos exercícios de forma completa, para que o conhecimento não fique prejudicado.
- O aluno precisa participar sempre, ou seja, deve mandar as suas dúvidas para o professor. O aluno não pode trabalhar sozinho, o ideal é "entrar" nos fóruns de discussão.
- É preciso destacar também que o conteúdo do curso é de extrema importância, além de sua forma de apresentação.
- O aluno deve estar apto para aprender com os demais colegas de "fórum" ou "chat", escrevendo de maneira clara e coerente para melhor interagir com eles ou com o professor.
Podemos concluir que encarar a nova forma de aprendizagem online trará mais uma possibilidade de conhecimento e não um mecanismo suspeito e de baixa qualidade. (Fonte: Manager) por Bárbara de Aquino
Lançada originariamente há quase trinta anos pela Universidade de Brasília (UnB), com base em experiências desenvolvidas por universidades inglesas, a chamada "educação a distância", que não exige a presença de estudantes em sala de aula, é hoje um grande sucesso no País. Adotado pelas universidades públicas, especialmente as federais, a partir do início da atual década, esse tipo de ensino têm cerca de 830 mil alunos regularmente matriculados em cursos de graduação e de pós-graduação lato sensu (que é voltado à formação de especialistas).
Comparativamente, em 2000 só havia 10 cursos desse tipo na graduação, com um total de apenas 8 mil alunos. Atualmente, estão credenciados no Ministério da Educação (MEC) 349 cursos a distância, com mais de 430 mil alunos. Na pós-graduação são 255 cursos, com mais de 390 mil estudantes. No início, a educação a distância fazia parte dos chamados "programas de extensão universitária", atendendo às necessidades dos Estados mais pobres do País.
Com o tempo, o número de cursos de especialização foi suplantado pelo número de cursos de graduação criados com o objetivo de formar professores para as escolas da rede pública de ensino básico situadas em cidades longínquas ou em zonas rurais. "Como uma professora que é casada, tem filhos e mora no interior pode vir para a capital e cursar uma faculdade? Também não podemos levar os professores para lá. Consideramos que é um compromisso da universidade pública formar essas pessoas", diz a pró-reitora adjunta de graduação da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Carmela Polito Braga.
Apesar de alguns especialistas verem com reservas os cursos não presenciais, os resultados dos programas de educação a distância das universidades públicas têm sido surpreendentes. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao MEC, os estudantes desse tipo de ensino obtiveram uma pontuação superior à dos alunos dos cursos convencionais em 7 de 13 graduações - entre elas Matemática, Biologia, Física e Administração - avaliadas no último Exame de Desempenho dos Estudantes (Enade). Nos outros 6 cursos avaliados, dos quais se destacam Letras, História e Geografia, as notas foram semelhantes. Os alunos dos cursos não presenciais são "diferenciados" e os números mostram que "o sistema ganhou credibilidade", diz Fábio Sanches, coordenador do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância, que acaba de ser divulgado pelo MEC.
Segundo o Anuário, o aluno de um curso a distância está na faixa etária de 30 a 35 anos. Ele é casado, com filhos, fez o ensino básico numa escola pública, trabalha de dia e tem um rendimento médio mensal de até três salários mínimos. "Em geral, é um público mais disciplinado, mais dedicado, porque o ensino a distância é a (única) oportunidade que ele tem", afirma o pró-reitor da Universidade Metodista de São Paulo, Luciano Sathler, que oferece 11 cursos a distância. "Os alunos já estão no mercado de trabalho, não conseguiram concluir uma faculdade quando eram mais jovens ou já estão formados em outras áreas", conclui. "Como não temos a figura do professor da disciplina, precisamos entender tudo para ir bem nas provas", diz Dayselane Pimenta, que ensina matemática numa escola estadual e faz pós-graduação a distância na Universidade Federal Fluminense.
A maioria dos cursos a distância funciona por meio da distribuição de apostilas e livros e de uma plataforma na internet, que permite aos alunos acessar aulas, conteúdos e sugestões bibliográficas. Uma vez por semana, um tutor esclarece dúvidas e dá orientações aos alunos. O sistema de avaliações muda de instituição para instituição, mas dois terços dos cursos aplicam provas escritas e provas práticas presenciais. O terço restante exige entrega de relatórios de leitura, atividades de pesquisa e trabalho de conclusão de curso.
O Anuário que o MEC acaba de divulgar mostra que o ensino a distância, além de oferecer oportunidade de formação superior a quem mora em cidades longínquas ou em zonas rurais, pode ter qualidade equivalente aos cursos presenciais. Fonte: O Estado de São Paulo. Quinta-Feira, 01 de Maio de 2008
A educação a distância, no Brasil, ainda é vista com desconfiança por boa parte da sociedade. Os primeiros resultados no Enade (exame do MEC que avalia o ensino superior) dos alunos que ingressaram em cursos superiores com essa modalidade de ensino, no entanto, mostram que, na maioria das áreas, eles estão se saindo melhor do que os estudantes que fazem o mesmo curso, mas da maneira tradicional.
Pela primeira vez desde a criação do Enade (2004), o Inep (órgão de avaliação e pesquisa do MEC) comparou o desempenho dos alunos dos mesmos cursos nas modalidades a distância e presencial. Em sete das 13 áreas onde essa comparação é possível, alunos da modalidade a distância se saíram melhores do que os demais.
Quando a análise é feita apenas levando em conta os alunos que ainda estão na fase inicial do curso -o Enade permite separar o desempenho de ingressantes e concluintes-, o quadro é ainda mais favorável ao ensino a distância: em nove das 13 áreas o resultado foi melhor. Nesses casos, turismo e ciências sociais apresentaram a maior vantagem favorável aos cursos a distância. Geografia e história foram os cursos em que o ensino presencial apresentou melhor desempenho.
A análise só dos concluintes ainda é limitada porque apenas quatro áreas de nível superior -administração, formação de professores, matemática e pedagogia- já têm concluintes em número suficiente para que seja tirada uma média e comparada com a dos demais. Entre os concluintes, o melhor desempenho para estudantes a distância foi verificado em administração e matemática, enquanto em pedagogia e formação de professores o resultado foi inverso.
Apesar de bem aceita em outros países, a educação a distância em que a maior parte do curso não é realizada em sala de aula, com um professor- ainda não deslanchou no Brasil. Quando a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, sinalizou o incentivo dessa modalidade -regulamentada dois anos depois pelo governo federal- alguns especialistas esperavam um crescimento acelerado, afinal, o Brasil tinha -e ainda tem- uma imensa população sem nível superior espalhada por um território vasto.
Não foi isso, porém, o que aconteceu. Segundo o último Censo da Educação Superior do MEC, relativo a 2005, havia apenas 115 mil alunos matriculados em cursos de graduação a distância -o total de universitários foi de 4,5 milhões.
O censo mostra que os cursos despertam pouco interesse. Em 2005, foram oferecidas 423 mil vagas, mas apenas 234 mil estudantes se inscreveram em processos seletivos e, desses, somente 127 mil efetivamente ingressaram nos cursos.
A educação a distância é uma das principais apostas do Ministério da Educação na área de formação de professores. Inspirado num programa iniciado há seis anos pelo governo do Rio, o MEC criou a UAB (Universidade Aberta do Brasil), que funcionará como um consórcio formado por universidades e centros federais que oferecerão cursos a distância. Fonte: Folha de São Paulo. terça-feira, 11 de setembro de 2007